E foi assim que tudo aconteceu
Não consegui mesmo perceber
Saiu de rompante pela porta dentro
Nem se quer chegou a entrar
E eu sentado a espera que acabasse de falar
Calado sem perguntas, nem respostas, simplesmente calado
Como se não houvesse nada que eu pudesse dar em troca
Nada que possa fazer, para que me abrace por um vida, só uma
Senti me abandonado porque quem não conhecia
Senti me vazio, perdido por ai fora
No momento sim, queria eu ir para casa
A procura tornou-se num destino, queria eu um lar
Não existe tal coisa, quando nem em mim me sinto seguro
Qual coisa qual é ela que nos penetra e não entra
Nos sufoca, e convoca os carrascos que nos enforca
Qual é coisa qual é ela que em nós mora, e chora
Cada vez mas, tanto na alegria como na tristeza
Aparece e parece, que procura motivos para desfilar
Sem passarela, sem flash, só por ela feliz
Diz ela pela lentidão, que ansiava pró pisar o palco da emoção
Cicatriza histórias de alguém em bochechas alcatroadas
Deixando pegadas por acariciar pelas mãos desejadas
Muitos falaram dele, muitos falaram por ele, a quem se tenha calado de vez
Outros foram mas longe pintaram o em tons invisíveis
Os mais atrevidos cantaram o acompanhado de orquestras
Os que dele fugiram hoje rastejam em celas abertas
Eu via os por longas horas, menos segundos que minutos
Muitos outros a mim observam, mas eu estava ocupado
Contava os como se fossem grãos de areia
Ria me deles, antes do arrepio e depois do receio
E se queres que eu te diga, mesmo sabendo que era inútil
Cimentei todos os meus órgãos, dos genitais ao coração
As vítimas são indiferentes, não tive escolha
Eu não sabia, não o ouvi, não o cheirei,
E antes de o sentir, já era tarde demais
Encontrava-se já pelas entranhas minhas
Tive opções... entre chorar ou rir, sem poder escolher
Como se eu quisesse algo dele, NAOOO QUERRO!
Fazes me lá falta, em mim já moram demasiados forasteiros
E quem por ele mendigou, que continue a mendigar
Eu estou muito bem assim, valorizo o no coração doutro
Onde eu o posso contemplar sem medo
Se ele chorou, isso é lá com ele
Porque homens como eu, acordados, nunca choramos
Porque haveria eu de derramar algo que não me pertence?
Essas lágrimas são teus, te pertencem, cuida delas
Quando eu precisar de um travesseiro
Deixe as cair, para que alguém as encontre
Alguém responsável por elas, que cuide delas
Pobres sentimentos tocáveis, inconsoláveis
Andam de face em face, peito em peito, marcas de culpa
E se vieres, que venhas de mãos abanar, que venhas sozinha
Já abriguei peregrinos que me mancharam a pele
Negro sou, carrego hematomas de surras que não mereço
Cobri me com mantos da sociedade, tentado clarear a pele
Mas nada resulta, confundiram a minha alma com a minha sombra
São elas negras porque não há sentimento de sobra
E tudo que hoje canto, é tudo que me pesa e para que dure, espero ser breve
