quarta-feira, 26 de agosto de 2009

As primeiras palavras de uma moribunda

Ontem fui imagens de outros
Fui formas, fui nomes
Fui prisioneira de mim mesma
Fui prisioneira de um amor renegado pelos outros
Fui tanta coisa sem ser nada
Fui um, fui dois, fui três, fui mas do que dez sentimentos sem os compreender
Fui tanta coisa que hoje não sou nada
Hoje não sei o que sou
Não sei para onde vou
Nem porque vou
Apenas sei que sou um mendigo da compreensão
Sou dona de mim mesma
Sou dona dos meus pensamentos
Mas escrava dos meus sentimentos
Já fui uma palavra
Mas nunca o seu significado
Já fui uma frase
Mas nunca seu objectivo
Já fui um verso
Mas nunca fui o seu conteúdo
Nunca fui nada disso..
Mas já fui um poema
Oco, vazio, sem sentimento mas já fui um
Também já odeie
Já amei
E tudo que hoje queria saber é se fui amada
Odiada com certeza que fui
E tudo que eu odiei foi o tempo
Sim o meu ódio vai para tempo
O mesmo tempo que leva para longe os meus amores
O mesmo tempo que torna eterno as minhas dores
Esse tempo...
Sim não há outro culpado
Só esse tempo inculto e ingrato
Ele que não me permite esperar
Não me permite amar eternamente
Que ao mesmo tempo, não permite que por mim esperes
Só tu tempo, tens tempo para contar as minhas histórias
Aventuras, decepções, curiosidades e feitos
Só tu tempo, podes falar lhes das minhas lágrimas
Porque dos sorrisos, conhece ele de cor
Sim tempo, quem mas...
Eu sei que não me falta motivos de alegria
Faltam sim, de tristeza
Porque quando choro, choro sozinha
Sim faltam momentos de tristeza
Aquelas que me prende ao silencio
Ai silencio…
Meu silêncio, o único que partilho contigo
Silencio pai
Silencio mãe
Silêncio também ele inimigo
O silencio que constrói loucos
ou destrói génios
o mesmo silencio, que te ensina a odiar ou a amar
Amar
Amor
Amei
Amei demasiado para uma só lágrima
Amei demasiado para um só verso
Tantas coisas, demasiados nomes, queria eu dar lhas ao amor
Contos de embalar, drama, romance, tantas historias, sei as todas de cor
Mas eis que de repente, não me restam mas versos
Não me restam mas palavras em tinta
Espero que as minhas acções, escrevam sobre as folhas do meu presente
E que o passado que é único que me lembro, dê asilo a certeza
porque a esperança a persegue, Espero que me perdoe
Pois não consigo esquece-la
Apenas aprendi a viver sem ela
E o futuro?
Esse vagabundo que nunca alcançarei
Espero que ele me minta
Espero que ela seja uma aventura, uma incógnita
Espero que o futuro nunca exista
Pois irei viver para sempre no presente
Nessa dádiva da vida, de repente
Cada vez mas diferente, indiferente ao valor de um presente
Que o amor que dei, se transforme em grandeza
Não maior que a grandeza do que o amor que recebi
Porque hoje, eu descobri a razão da minha existência
É por essas e por outras, que reconheço que amo
Eu confesso que amo, perante o silencio, confesso o sem remorsos
Eu confesso, confesso ao meu ser e a todos que não querem amar
eu confesso a todos que nunca souberam que um dia amaram
É por esse motivo que me crucificas? É esse o meu crime?
então prenda me, não tenhas misericórdia, sem piedade, Prenda me
Ata me as mãos com algemas de compreensão
Me leve em 4 rodas de amizade
Acompanhado de 4 seguranças da primeira emenda
Vista me de laranja da sinceridade
E quando chegarmos ao nosso destino
Feche me em 4 paredes de aço
O da esquerda, da honra e da dignidade
O da direita, da autoconfiança e da persistência
O de trás, da lembrança e experiência
E o da frente da faculdade e da luta
E quando deitares a chave fora
Não se esqueça de abandonar ao meu cargo, uma pomba branca
Que antes de morrer, com uma gota de lágrima antes, e um sorriso para finalizar
Planeio soltar lá, livre como nunca foi, mas pesado, mas livre como nunca se sentiu
porque os ouvidos dela carregam um fardo, que leve os meus últimos versos

VAI E AMA... ASSIM COMO EU AMEI


FIM

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