19/03/2010
19/03/2010
Foi sim senhor, foi esse o dia, não podia de maneira alguma ser outro.
Oh! Dia, sexta santa, na alma da sinfonia africana.
Hoje é o dia, hoje… o próprio, imaginei-te, imaginei-me também,
Como se não existisse mais futuro para antecipar, nem sonhos por sonhar.
Continuei imaginando a cada par de meias, a cada calçado,
Creme, perfume, a cada acessório; não imaginei um vencido.
Pensado ao pormenor para a ocasião,
Fui com amigos, irmãos de arma, prisioneiros das colisões.
E assim fomos, o orgulho ia ao volante, e atrás levávamos a compaixão.
Bastava os três, esse dia era meu, não levamos mais ninguém.
A determinação, a disciplina e a teoria ficaram para trás.
Não havia lugar para terceiros, nem segundos.
A caminho, recebi uma chamada da paixão, ah, paixão!!!
Dizendo que a novidade também lá estaria, por pouco tremi.
Mas quando queremos e desejamos algo sem ser outra coisa,
Manipulamos a realidade de tal forma que se torna possível,
Mesmo não sendo…
Por lá já nos esperava o amor, e a própria paixão.
Era noite de lua vazia, sem olhar para ela, nem sequer a vi.
Quis, como qualquer apaixonado, imaginá-la cheia, linda, e especial.
A chegada, a diferença pediu-nos que nos dirigíssemos à porta VIP.
Por lá não houve problemas com o poder e a brutalidade,
Até que transmitiam um gosto de apreciação e segurança.
O rancor, a raiva e a inveja também lá estavam à porta,
Com parceiras que não tive curiosidade em contemplar,
Que gostaram de nos ver entrar pelo portão do Éden.
Já no meio dos pecadores e santos, sentia-me único,
Porque estava com a especialidade; hoje era o dia.
E de longe avistei a felicidade, vestida de preto, sorriu para mim.
Beijei na face da minha paixão – que amor seria, senão fosse paixão?
Também vi o pesadelo, a espreitar, sem oportunidade para confirmar,
Rapidamente se escondeu entre a multidão indiferente,
A bagunça e confusão de sentimentos que lá se encontravam dançando.
Porque ninguém pensa no "ver para além do que os meus olhos mostravam".
Mas era inútil me enganar, não era um dia qualquer realmente,
Era o dia da minha execução, não da coroação como imaginara.
O trono não era meu, já lá estava um príncipe encantado.
Ainda tentei me vestir de sapo, mas também era inútil; já lá havia muitos.
Estava entre dois sentimentos, dois seres, totalmente indefinido.
Depois atrevi-me a olhar à volta, mas não vi mais ninguém,
Nem sequer o porquê, e a razão que eu deixei em casa,
Pensando que era desnecessário nessa noite; afinal fazia falta.
Ainda procurei o “SE EU SOUBESSE…” e o sentimento que trouxe comigo,
Já não era o mesmo; nunca o vi tão pequeno, tão amedrontado,
Ao lado da novidade que vestia a pele da alta sociedade.
O orgulho tornou-se no “NÃO POSSO CRER”, mesmo querendo,
Tentando chutar a realidade e se enganar sozinho.
Aí já não existia uma história, mas sim palavras soltas
E versos escondidos nos seus monólogos solitários.
No que sobrou, se havia algo completo, era eco,
Gago no próprio sentimento, faço e desfaço, em beijos e abraços.
Dancei com a promessa da paixão, como se estivesse só com ela no salão,
Mas sem nunca a valorizar… o meu olhar procurava a porta dos fundos.
A mente estava fechada, decidi sair pelo coração que já se encontrava arrombado, pela novidade que não tive prazer em rever.
A mesma surpresa não permitiu que lhe odiasse; foi comprando-me com simpatia,
Por cada copo de água benta, que aceitei com prazer,
Para afogar a certeza que me afogava a cada confirmação.
Cada beijo, cada olhar, cada movimento sensual de complexidade,
Dispensava um testemunho, dispensava a mentira ou verdade.
Amor…hum amor, procurando lugares de refúgio numa noite iluminada por sorrisos falsos… dizem que o encontrou, se encontrou? Não sei…
Deve ter encontrado, nunca mais o vi.
O sorriso que me veio trazer à porta decidiu ficar,
Encontrou mil razões para continuar vivo.
Tudo é razão quando queres manter a esperança que já se despediu.
Nesse dia criei algo novo, um sentimento novo, não sei qual é,
Mas só pode ser novo, porque nunca me tinha sentido assim,
Nunca me senti tão… tão… tão qualquer coisa.
E logo eu? Eu? Que te amei paixão, quando ninguém o fez? Logo eu?
Eu que te amei amor, com todas as minhas partes, todas.
O bater sinfônico do coração já não se encontrava só no coração,
Agora se espalhou por todo o corpo, tornei-me numa cicatriz, numa ferida, que cura pode haver?
“São feridas que não saram por não serem feridas.”
“São amores que não amas por não serem amores.”
Nunca vi horas tão longas, tão desapontadas com os segundos.
Vivi uma vida numa só noite, demasiados sentimentos.
A saída… a rua que me viu entrar perdeu o rastro do sentimento,
A cara que lhe era familiar já não reconhecia o meu nome.
Como se não bastasse, fomos surpreendidos pelo ódio,
Já a compaixão avisara, mas o orgulho, teimoso como é, ignorou.
E lá estava o ódio, como sempre indesejado pelos renegados,
Que fez uma enorme rusga no que restava do caco da minha compreensão.
Breve não foi, mas foi breve a imensidão da madrugada.
Sabendo que o sol espreitava uma oportunidade de iluminar,
De mostrar a todos a cara da decepção – é verdade… tem cara.
Mas… foi esse o dia… foi esse o dia… o dia em que…
Amores vão, amores vêm, nenhum permanece, nem igual nem semelhante.
Sim! Continuo a escrever para algo que conheces.
Se existe um sentimento que me deve explicações, és tu.
Não importa o que faça, nem o que não faça, é déjà vu.
Por mais que tentemos agarrar alguma coisa,
Acabamos sempre por perdê-la.
A única coisa que permanece são os sentimentos,
Os laços que nos embrulham, como presentes de alguém,
Alguém que nunca irá recebê-los, por mais que os embelezemos.
“E se um dia tiveres que contar a coisa mais importante do mundo a alguém,
Mas sabendo que não valorizaria, ou nunca acreditaria, o que farias?”
Não sei, apenas me lembro que nesse dia, já quase de dia,
Nesse dia único, sem PROMESSAS DE FELICIDADE,
Dormi nu… sem almofada, sem manto para me proteger da forte brisa na nuca,
Sem pressa do amanhã, deitei-me numa cama feita de VERSOS PERDIDOS em lágrimas.
MAS NÃO CAEM, NÃO… NÃO CAEM, PORQUE HOJE, HOJE DEVIA TER MORRIDO,
MAS EU NASÇO E MORRO TODOS OS DIAS,
E NESSE DIA… NESSE DIA EU NASCI NOVO.

Oi!prazer imenso tua presença no meu humilde espaço,obrigada.Adorei conhecer teus sentimentos perdidos,admiro as pessoas tem facilidade com as palavras escritas.beijoss com carinho,amigo além mar.Lia...
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