Porto de lamentações, corações feridos por milha
Negreiros por escotilha, sonhos mortos num dia
Filho ilegítimo em cada ferida amada a distância
Por não ser aceite, choro lágrimas de desespero
É… Outra vez choro, é… outra vez, não por ti Gália
Choro por uma África mal amado a milhas de distância
Que pela minha cor se comprometeu a ser padrasto
E é a dor de um pai que não me reconhece pela mesma…
Abandonado a minha sorte, que o azar troce como prenda
Filho bastardo, que amou demasiado
Sentado no colo do relento, contemplo o berço de D. Afonso Henriques
A minha morada é onde me levam os meus sentimentos
Hoje estou cravado nos murros do castelo de São Jorge
Sou parte da canção de Lisboa, sou parte da Amália
Sou o soldado de lata, bravo nas notas da maia
E se me resta Honra, esta contida no brasão da mansão
Da analepse a priori, irei sentir a emoção de os ver partir
E espero que encham os mares do Colombo ao Diogo Cão
Sei que a esperança foi o primeiro a cair
Sem permissão da razão, que se ajoelhou perante o coração
Beijei o solo fértil da nação, que acolheu as minhas lágrimas de emoção
Sem lembranças para vasculhar
Eu vou me deitar e descansar
Porque eu sei que sou o tal
O português que nunca encontrou o seu Portugal

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