sexta-feira, 9 de abril de 2010

POR TI GALIA

Por ti Gália, só por ti Gália
Porto de lamentações, corações feridos por milha
Negreiros por escotilha, sonhos mortos num dia
Filho ilegítimo em cada ferida amada a distância

Por não ser aceite, choro lágrimas de desespero
É… Outra vez choro, é… outra vez, não por ti Gália
Choro por uma África mal amado a milhas de distância
Que pela minha cor se comprometeu a ser padrasto
E é a dor de um pai que não me reconhece pela mesma…
Abandonado a minha sorte, que o azar troce como prenda

Filho bastardo, que amou demasiado
Sentado no colo do relento, contemplo o berço de D. Afonso Henriques
A minha morada é onde me levam os meus sentimentos
Hoje estou cravado nos murros do castelo de São Jorge
Sou parte da canção de Lisboa, sou parte da Amália
Sou o soldado de lata, bravo nas notas da maia

E se me resta Honra, esta contida no brasão da mansão
Da analepse a priori, irei sentir a emoção de os ver partir
E espero que encham os mares do Colombo ao Diogo Cão
Sei que a esperança foi o primeiro a cair
Sem permissão da razão, que se ajoelhou perante o coração
Beijei o solo fértil da nação, que acolheu as minhas lágrimas de emoção

Sem lembranças para vasculhar
Eu vou me deitar e descansar
Porque eu sei que sou o tal
O português que nunca encontrou o seu Portugal


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