sexta-feira, 9 de abril de 2010

A despedida


Eu vou para lá
Penso que sim, deve ser outra margem
Todos o afirmam, todos dizem que sim
Quem sou eu para dizer que não
Se não um sentimento, restos de sentimentos
De todos que já marcaram a minha vida
Tanto pelo negativo como positivo
Deve ser desta, não há outra
Nunca ouve outra, então é desta
Eu gostaria de deixar uma legacia
Mas não posso afirmar que o deixo para trás
Se ninguém me diz onde me encontro
Se é afrente, no meu, no inicio, no fim, atrás.
Que triste, talvez porque ninguém faz a mínima
De qualquer forma vou, sem opções de escolha
Sem liberdade, sem direito, sem conhecimento
Deve ser o destino, seja la o que isso for
Vida minha escrita em letras de título negros
Morte que não é minha, escrita já gasta, no canto inferior direito
O resto, são rascunhos deitados fora, notas destorcidas
Do pouco que se aproveita, é do pouco onde me deitam
Corpo esperançado, sem sinais de luta nem de tentativa de ser voz
Vá lá, Vai continuar o teu livro, que eu já o li
só tem duas palavras, o resto? São histórias por contar
História de embalar adultos, que ninguém quer ouvir
Histórias de apaixonar qualquer criança pela vida que a espera
Historias que todos recordam por partes, e tu que és dono delas, nem metade
Se são historias? Lá isso são, sem ser outra coisa
E os actos, em que quadras se encontram? Em que quadro foram elas pintadas?
A preto e branco não restam dúvidas, furtadas de ti pela sociedade
Presas num quarto longe das vistas, dos que viram demais, sabem de mais
Ouvem demais, Pois também perguntam demais, são eles os demais
Sim, estão amais, capazes são eles de memorizar os meus actos
Mas do que servem eles se não são capazes de implorar por um sentimento meu?
Tudo que fiz de mal são versos perdidos, e de bom estão eles esquecidos
Serei eu banido? Faço por isso, quem sabe um dia falem de mim
Não só de mim, mas também de mim, do que eu próprio esqueci
Corpos por abraçar, palavras por dizer, versos por ditar, caras por amar
Vive tudo em despedidas, independente da minha razão de vida
Parto sem me despedir dos que me despediram, sem saber se foi realmente a despedida

1 comentário:

  1. óh bichO, o textO está lindo
    (como sempre)


    éS o meu pOeta (a)

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