terça-feira, 17 de março de 2009

Abolia da razão












Choraste o mundo dele, teu, que não te pertencia

Eras tudo que tinhas, ser feliz foi tudo que querias
Mais uma vez o desconhecido não te estendeu a mão
Pela tua diferença, indiferente, não te tratou como irmão

Porque aniquilam vocês o que não vos é conhecido
Porque abandonam vocês o que não vos é compreendido
Continuam ignorantes na hora que o sentimento vos aclama
Continuam insensíveis nos segundos que os ignorantes vos amam

Amam quem vos ama... e odeiam quem conscientemente vos ama
Mas afinal quem vos odeia?
Se dão amor a quem já o tem... então rejeitam quem o necessita
Mas que triste odisseia

Tentam dar um titulo, um capítulo final às vossas vidas
Tentam escrever o vosso destino em páginas já elas escritas
Inventas desculpas vivendo uma vida já ela vivida, revelada
Tentas silenciar a tua voz num sonho onde a história foi apagada

Sinto um nojo desta realidade que não me pertence
Sim, fujo deste mundo de ninguém, vocês o compreendem
Todos me viram as costas pensam eles que vão para a frente
No campo de batalha abandonei soldados, sim era eu o tenente

Sou um fugitivo sim, sou incompreendido sim
Anda loucura, tu sim, foge tu comigo, vem
Cega será a razão, se nos meus olhos a realidade não ler
Todos te procuram sim, vês, mas ninguém te quer ver

Para lá da imaginação fogem...queria eu saber mas porquê?
Se é lá que habitam, circulam, se entregam parados no tempo
Compreendidos sem rumo, segura-lhes esperança e a fé
Por lá ainda deambulam desamparados, a razão do que é feito

Tudo fora da tua realidade para ti é um autêntico manicómio
Quem é quem num mundo fechado a realidade no auge do teu cio
Se cegamente acredito que foste feito à imagem do teu Deus omnipresente
porque não aceitas que eu seja feito a imagem de um louco omnipresente

Farto do vosso sentimento inocente, procuro-o no coração de um mendigo
Depois de tanto me encontrar, é lá que recupero, procuro o meu desamparo
Estás com a consciência pesada, farto do carregar o teu fardo sinto me sem caparro
Nessa altura que quando ninguém te estende a mão, eu paro. Esquecido, e dou-te amparo

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